Na 1ª Code do Paraná, padrão de desenvolvimento brasileiro foi debatido

Abertura da Conferência reuniu mais de 300 pessoas do poder público, academia e sociedade civil

Thiago Martinez, coordenador de Economia Monetária e Câmbio do Ipea, em discurso durante a abertura da Code PR (Foto: Jorge Farias)

“Com o tema desenvolvimento regional para a integração nacional, a Conferência configura-se em um momento privilegiado para a construção participativa de uma nova Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), elaborada a partir de um amplo debate sobre o futuro que se deseja para o Paraná e para o Brasil”, afirmou o secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano do Paraná em exercício, Jamil Abdanur Júnior, dando início às atividades da I Conferência Estadual do Desenvolvimento Regional do Paraná, nesta terça-feira, dia 25.

O evento, promovido pelo Ipea, Ministério da Integração Nacional e o governo do Paraná, por meio das Secretarias do Desenvolvimento Urbano (Sedu), Planejamento e Casa Civil, reunirá representantes da sociedade civil, academia, empresariado e poder público em painéis e grupos de trabalho até quinta-feira, 27, no CIETEP, em Curitiba.

“Apesar do PIB do Paraná ser 5% superior à media nacional, apenas 13,5% dos municípios do estado (54), desfrutam de fato dessa renda per capita superior, mostrando uma economia interregionalmente concentrada”, apontou o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço. Ele alertou para ameaças ao crescimento do Paraná, como a forte concentração industrial na área polarizada pela Região Metropolitana de Curitiba, a reduzida complementaridade interindustrial, a tímida influência na esfera federal e a deterioração da competitividade infraestrutural.

Representando a Presidência do Ipea, Thiago Martinez, coordenador de Economia Monetária e Câmbio do Instituto, apresentou a trajetória do desenvolvimento brasileiro e ressaltou suas especificidades com o crescimento inclusivo (redução da pobreza, maior distribuição de renda e redução do nível de desemprego) e o foco nas transferências públicas de assistência e previdência social. O programa Bolsa Família, por exemplo, correspondia a 0,06% do PIB em 2002, e aumentou para 0, 41% em 2011.

O pesquisador explicou que inicialmente o crescimento foi puxado pelo setor externo e após 2006 o avanço foi feito essencialmente pelo mercado interno, outra especificidade brasileira do padrão de crescimento recente. “A partir daí, o investimento público passa a ser um componente fundamental do novo padrão de crescimento. É um fator central para o crescimento puxado pela demanda interna e tem um impacto de produtividade na economia”, afirmou.

Martinez concluiu que, mesmo diante da piora significativa do ambiente externo nos últimos trimestres, o que acabou por contaminar o ambiente de investimentos domésticos, o crescimento recente do endividamento das famílias (e do comprometimento da renda destas últimas com o serviço de suas dívidas) reflete em grande medida aspectos positivos do atual modelo de crescimento – como a inclusão dos pobres no mercado de consumo e o aumento dos financiamentos habitacionais.

Ele citou também as grandes oportunidades de investimento no Brasil, uma economia de 200 milhões de pessoas, crescentemente urbana e de classe média, com importantes necessidades infraestruturais urbanas – dificuldades estas dramatizadas pela proximidade da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016.

Assimetrias regionais

Em sua avaliação das desigualdades regionais do país, o analista em Desenvolvimento Regional do MI Cléber Lago apontou que mais da metade do PIB nacional (56,4%) está concentrado na região Sudeste. E complementou que a desigualdade não se limita à escala macrorregional. “As microrregiões de alta renda concentram 54,4% da população e 77,2% do PIB brasileiro. Já as demais microrregiões equivalem a 70% da área, abrigam 45,6% da população e 22,8% do total das riquezas produzidas”, afirmou.

Neste contexto, Cléber destacou o papel da nova PNDR, que é uma política transversal por natureza e tem o duplo desafio de superar as desigualdades regionais com o recurso de instrumentos próprios e específicos, e ser o fio condutor estratégico da coordenação das diferentes políticas setoriais (PAC, Brasil Maior, PNLI, PNE, etc) naqueles territórios.

Também estavam na mesa de abertura o assessor especial do Ministério da Integração Nacional, Gelson Albuquerque, o chefe de Agricultura da Secretaria Nacional de Articulação Social da Secretaria Geral da Presidência da República, Silvio Carvalho Trída, a representante do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, Elaine Pasquim, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), Élio Bampi, o diretor executivo da CUT-PR, Luciano Zanetti, o presidente da COMEC, Rui Rara, e a representante das Instituições de Ensino Superior, Celenia Tonella, da Universidade Estadual de Maringá.

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  • @paulocbastos Muito obrigado por compartilhá-lo com a gente! Excelente artigo! 👏👏👏 10 hours ago
  • É importante promover o debate contemporâneo sobre a elaboração e a implementação de políticas públicas para a democratização da água. 11 hours ago
  • Essas e outras questões são abordadas no livro O Direito à Água como Política Pública na América Latina: uma exploração teórica e empírica 11 hours ago
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