Conferência no Acre destaca modelo de desenvolvimento para a Amazônia

Mais de 100 paticipantes debateram em Rio Branco o desenvolvimento do Acre e região

Autoridades do governo federal, estadual, de Rio Branco, e de entidades econômicas, acadêmicas e civis contribuíram para o painel de abertura da Code AC (Foto: Ascom/Ipea)

Durante a abertura da 1ª Conferência de Desenvolvimento Regional do Acre, realizada dia 18 de setembro na Usina de Comunicação do Estado, o representante da Presidência do Ipea, Aristides Monteiro Neto, ressaltou a necessidade de ampliar o processo de desenvolvimento brasileiro para todas as regiões do país: “estamos num momento de repensar e fortalecer os modelos de desenvolvimento regional”. Segundo Monteiro, “o desafio é fazer com que as regiões menos favorecidas pela política de desenvolvimento sejam vistas não como problema, mas sim como parte da solução”. Na sua fala de abertura do evento, o secretário de Desenvolvimento Social do Estado, Antonio Torres, reiterou que “os Estados têm que ser ouvidos. Esta conferência tem este papel”. A mesa de abertura da conferência contou também com a presença do prefeito de Rio Branco e Presidente da Associação dos Municípios do Acre (AMAC), Raimundo Angelim, da articuladora do Ministério da Integração Nacional, Susana Góis, da diretora da SUDAM, Georgette Cavalcante, assim como do presidente da Federação das Indústrias do Acre (FIEAC), Carlos Sasai e da promotora do Estado, Rita de Cássia.

As diferenças entre os padrões de desenvolvimento das regiões e dos estados brasileiros foram discutidas no sentido de ressaltar as especificidades da região amazônica e do estado do Acre. Segundo Angelim, existem exemplos marcantes no Acre que clamam por uma análise cautelosa e por soluções especificas. “Precisamos de uma política de desenvolvimento da Amazônia”, ressaltou o Prefeito, que exemplificou citanto a integração com os países vizinhos. “As cidades fronteiriças não podem ficar de costas umas para as outras”, afirmou. Por ventura das suas fronteiras com Peru e Bolívia, o Acre tem uma relação histórica com esses países e vivencia atualmente uma dinamização dessas relações em decorrência de recentes projetos de desenvolvimento de infraestrutura regional.

As influências dos programas sociais do governo federal na região, assim como a inclusão das questões regionais no debate sobre o modelo de desenvolvimento do país marcaram as falas na abertura da conferência estadual. Segundo Georgette Cavalcante, da SUDAM, “os modelos de desenvolvimento até os anos 1980 eram centralizados. O planejamento e a implementação eram no fomato de cima para baixo. […] Estamos vivendo um processo de transição entre um modelo e outro”. Georgette ressaltou também que as taxas de crescimento na época eram altas, porém a concentração de renda e as desigualdades regionais também aumentaram, diferentemente do padrão de desenvolvimento brasileiro recente. Angelim reconhece que “a redução das taxas de juros com manutenção da estabilidade no nível do emprego não é tarefa fácil”.

Também fizeram parte da mesa de abertura Sonia Jacinta, da Fecomércio, Prof. Carlito Cavalcante, do Mestrado em Desenvolvimento da UFAC, Prof. Breno Silveira, do Instituto Federal Tecnológico do Acre e Davilsom Marques Cunha, diretor da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado.

Dinâmica do desenvolvimento

Durante sua apresentação técnica, Aristides Monteiro ressaltou que a dinâmica do desenvolvimento local deve agregar valor aos seus produtos. “O crescimento recente do Brasil remete ao do mercado interno. Dinâmica esta que deve ser acentuada”, disse. Monteiro lembrou também que “os setores mais bem articulados no sentido de captação de recursos públicos e na demanda por recursos humanos tendem a uma centralização de suas atividades nas regiões mais desenvolvidas”. Desta forma, “repensar os formatos institucionais e legais no sentido das políticas de desenvolvimento é o grande desafio do momento”, disse.

Susana Góis, do Ministério da Integração Nacional, sublinha que é necessário diferenciar desenvolvimento e crescimento, focando na qualidade do desenvolvimento. A participação da sociedade na formulação das políticas públicas contribui para a cidadania e para uma participação mais eficiente da populaço no processo político. Segundo Góis, a institucionalização da 1ª Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), em 2007, constituiu uma mudança de paradigma”. Ela ressaltou também que “a PNDR tem o papel de reduzir as desigualdades”.

A Conferência em Rio Branco deu seguimento aos debates durante todo o dia 19. Os partipantes dividiram-se em quatro grupos temáticos, onde técnicos do Ipea e do MI proferiram apresentações para subsidiar as discussões. Em seguida foram discutidas e formuladas as propostas de princípios e diretrizes, que foram votadas ao final do dia. A plenária final priorizou cinco princípios e vinte diretrizes que serão levadas para a conferência nacional. Neste momento também foram eleitos os dez delegados que representarão o Acre na conferência.

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1 Response to “Conferência no Acre destaca modelo de desenvolvimento para a Amazônia”


  1. 1 everaldo de vasconcelos martins outubro 4, 2012 às 1:36 pm

    Seria interessante que os coordenadores dos grupos temáticos recebessem previamente as propostas de princípios e diretrizes que foram priorizadas no Estados, a fim de subsidiá-los, por ocasião da realização da Conferência Macroregional


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  • @paulocbastos Muito obrigado por compartilhá-lo com a gente! Excelente artigo! 👏👏👏 10 hours ago
  • É importante promover o debate contemporâneo sobre a elaboração e a implementação de políticas públicas para a democratização da água. 11 hours ago
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