RJ não melhora indicadores na mesma velocidade do Brasil

Números foram apresentados pelo diretor Jorge Abrahão, do Ipea, no painel sobre Desigualdades Regionais e Critérios de Eligibilidade

O painel sobre Desigualdades Regionais e Critérios de Eligibilidade no Rio de Janeiro proporcionou um debate sobre o perfil das regiões fluminenses e seus desafios. A troca de ideias sobre o eixo temático nº 3 foi mediado por Pedro Luiz Cavalcante, coordenador geral de Monitoramento e Avaliação de Políticas Regionais do Ministério da Integração Nacional, e teve como representante do Ipea o diretor de Estudos e Políticas Sociais, Jorge Abrahão de Castro.

Abrahão apresentou um panorama de indicadores sociais no Brasil e no Rio de Janeiro. “O resumo da situação no estado é que há melhorias em algumas áreas, há setores dinâmicos, que nem sempre conseguem chegar à parcela mais pobre da população”, afirmou o diretor do Ipea. Ele lembrou, usando como base para sua análise as variações entre os Censos de 2000 e 2010, que não há cenário de piora da razão de dependência (indicador que inclui crianças de 0 a 15 anos e população em idade ativa de 16 a 65 anos no RJ) do estado.

Quanto à renda domiciliar per capita, o RJ teve melhoria na década, evoluindo 2%, mas o Brasil avançou mais (2,7%). Os fluminenses tampouco acompanharam o progresso médio nacional em termos de renda média do trabalho e de redução da desigualdade medida pelo índice de Gini (queda de 0,6% no Brasil e de 0,1 no RJ).

A parcela de contribuintes da população economicamente ativa (PEA) no Rio chegou a 71,1% em 2010, superior à média brasileira, de 65,4%. Mas, no estado, o crescimento foi de apenas 0,8% na década, abaixo dos 1,4% no território nacional. “Para quem pensa em política social, é um dos indicadores mais importantes. Na Europa quase 85% da população é contribuinte. O Rio tem posição melhor que do Brasil, mas anda distante da faixa que se desejaria, pois 30% praticamente não têm proteção social”, afirmou Abrahão. O diretor do Ipea revelou, ainda, os resultados referentes a indicadores como grau de pobreza, homicídios, analfabetismo, alta escolaridade e oferta de creche (0 a 3 anos).

Pedro Luiz Cavalcante explicou que o Ministério da Integração Nacional adotará uma tipologia diferente para a nova Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR). Na primeira política, atualmente em vigor, a eligibilidade deu-se em todas as microrregiões de baixa e média renda, independentemente do dinamismo, com foco no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

“Na nova proposta, da segunda PNDR, mantêm-se as microrregiões de baixa e média renda em todo o território, não só no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mas também as de alta renda do Nordeste. O entendimento é que estas últimas têm capacidade de dinamização da economia muito grande. Possuem alta renda, mas também grande desigualdade”, explicou. Cavalcante acrescentou que a intenção do Ministério é avançar na tipologia da política, para não captar apenas o “olhar econômico”, mas, por exemplo, capacidades de ciência e tecnologia, estrutura produtiva, acesso à educação.

O painel contou ainda com apresentações de Guilherme Mercês, gerente de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que apresentou o Índice Firjan de Desenvolvimento dos Municípios (IFDM), e de Helena Lima, representante da Secretaria de Estado e Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), que ofereceu um panorama das ações de assistência social no estado do Rio de Janeiro nos últimos anos, enfatizando os progressos obtidos mais recentemente.

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  • @paulocbastos Muito obrigado por compartilhá-lo com a gente! Excelente artigo! 👏👏👏 10 hours ago
  • É importante promover o debate contemporâneo sobre a elaboração e a implementação de políticas públicas para a democratização da água. 11 hours ago
  • Essas e outras questões são abordadas no livro O Direito à Água como Política Pública na América Latina: uma exploração teórica e empírica 11 hours ago
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