Code Amazonas debate sustentabilidade e desigualdades regionais

Segundo dia da Code Amazônia teve três painéis temáticos e grupos de trabalho

“O desenvolvimento da Amazônia necessita de uma revolução científico-tecnológica para promover o bem-estar de sua população sem ser predatório ao patrimônio natural”. A fala da diretora-presidente da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi), Isa Assef do Santos, abriu, nesta terça-feira, 18, o segundo painel temático da Conferência do Desenvolvimento do estado do Amazonas: Desigualdades regionais e critérios de elegibilidade. Assef trouxe números que demonstram a distância entre a produção científica e o desenvolvimento tecnológico do Amazonas e do Norte do país em relação ao Sudeste.

Code AM contou com a participação de representantes indígenas (Fotos: Valmir Lima)

“São Paulo tem cerca de 32 mil pesquisadores e o Amazonas, 2,8 mil. A Universidade de São Paulo tem em seus quadros mais doutores que toda Região Norte”, informou. A diretora-presidente acredita que é possível mudar esta realidade, com vontade política e investimentos em Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação. “Não somos piores que ninguém, podemos fazer nossa revolução científica e transformar nossa realidade, não temos que ter inveja de ninguém”.

José Valente Chaves, técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), abordou os aspectos socioeconômicos das desigualdades regionais. Ele apresentou um levantamento do Instituto, feito com base nos censos do IBGE, que retrata a situação do Amazonas em áreas como previdência social, educação, assistência social e renda domiciliar. “Fizemos indicadores microrregionalizados para lançar luz sobre os problemas e as potencialidades das regiões do estado”, afirmou.

De 2000 a 2010, o estado do Amazonas reduziu em nove pontos percentuais a proporção de pessoas extramente pobres entre seus habitantes. A distribuição, no entanto, é desigual. A microrregião de Manaus tem 11,4% de pessoas consideradas miseráveis, já na microrregião de Rio Negro esse número atinge quase metade da população (48%). Também houve queda na mortalidade infantil, de 3,4% ao ano, mas inferior à média brasileira, que decresceu 3,6% ao ano. “Todos esses indicadores reforçam as grandes desigualdades entre regiões e dentro dessas regiões”, afirmou Valente.

Desenvolvimento e Sustentabilidade

Albino Alvares fala sobre diversidade e desenvolvimento na Code Amazonas

Albino Rodrigues Alvares, da diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanos e Ambientais do Ipea abriu o painel Desenvolvimento Regional e Sustentabilidade. O técnico do Instituto ressaltou que pensar uma economia sustentável pressupõe entender que cada região tem uma cultura própria e recursos naturais locais. Para ele, as demandas de uma conferência precisam refletir essas diversidades. “A Amazônia do estado do Amazonas é muito diferente da encontrada no Amapá, dentro do Amazonas também há grandes diversidade, que não são problemas, mas são oportunidades de desenvolvimento”, concluiu.

André Calixtre, chefe da assessoria técnica do Ipea, também participou do terceiro painel para apresentar o estudo sobre a integração entre o sul da Venezuela e o Norte do Brasil, um trabalho realizado pela missão do Instituto no país sul-americano. Calixtre destacou que o desenvolvimento pode ser favorecido também por forças endógenas à região, como por exemplo, a descoberta de uma grande reserva de petróleo no país vizinho, na região da Bacia de Orinoco. “A Venezuela diz ter descoberto a maior acumulação de petróleo do mundo. Temos uma proposta de integração não apenas de infraestrutura, mas também produtiva, nas fronteiras do Brasil com a Venezuela, hoje, do ponto de vista regional, o Norte é a região que menos participa das trocas comerciais com nosso vizinho, afirmou.

De acordo com o pesquisador, mesmo com a intensificação das trocas comerciais, ainda não há processo de integração produtiva, não observa-se a interligação das cadeias produtivas. “O ingresso recente da Venezuela no Mercosul pode facilitar esse objetivo”, argumentou.

Financiamento do Desenvolvimento

Uma discussão sobre as formas de financiar o desenvolvimento regional encerrou a série painéis temáticos da Conferência do Desenvolvimento do Amazonas. Estiveram presentes o coordenador de estudos regionais do Ipea, Carlos Wagner de Oliveira, e José Vanderlei, da Secretaria de Fundos Constitucionais do Ministério da Integração Nacional. Após os painéis, os conferencistas participaram do Grupos de Trabalho que definirão princípios e diretrizes para a Nova Políticas Nacional de Desenvolvimento Regional.

Veja as apresentações do Ipea nos painéis temáticos:

Governança, Participação Social e Critérios de Elegibilidade
Desigualdades Regionais e Critérios de Elegibilidade
Desenvolvimento Regional e Sustentabilidade
Integração Amazônia-Orinoco
Financiamento do Desenvolvimento

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