Conferência no RJ renova o debate sobre o território

Abertura da Code na capital fluminense teve a presença do presidente do Ipea, Marcelo Neri

Presidente do Ipea, Marcelo Neri, em discurso durante abertura da Code RJ (Fotos: Kennedy Costa)

A sessão de abertura da Conferência Estadual de Desenvolvimento Regional no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, 17, ressaltou a importância de pensar o estado e a região Sudeste a partir do território. O evento, no Auditório Arino Ramos Ferreira do Edifício Sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), começou às 10h e reuniu mais de 200 pessoas. Até a quarta-feira, dia 19, o público inscrito de aproximadamente 600 pessoas vai propor os princípios e diretrizes do estado para a Política Nacional de Desenvolvimento Regional.

A Conferência foi aberta por Pedro Motta Lima Cascon, secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca. Ele destacou a importância de um dos quatro eixos de debate, o primeiro deles, Governança, Participação Social e Diálogo Federativo. “Esse eixo é estruturante para todo o processo de planejamento que pretendemos ver avançar”, declarou. Guilherme Narciso de Lacerda, diretor do BNDES, lembrou que o banco tem interesse em valorizar a fortalecer essa referência espacial dentro das políticas de desenvolvimento. “Temos uma série de programas e linhas que valorizam essa questão regional. E esperamos que, a partir deste debate, cheguemos a uma reflexão conjunta para levar ao debate macrorregional e depois nacional, dando o alinhamento adequado às políticas públicas”, afirmou.

Mesa de abertura da Conferência no Rio de Janeiro, realizada no Edifício Sede do BNDES

Marcelo Neri, presidente do Ipea, apresentou alguns números que comprovam a evolução brasileira, do ponto de vista regional, nos últimos 10 anos. “A renda do Nordeste, a região mais pobre, cresceu 42%, enquanto no Sudeste esse aumento foi de 16%. A busca é pelo desenvolvimento inclusivo e sustentável, e os adjetivos são importantes para frisar o modelo que queremos”, disse. Ele citou que a conferência, fruto da parceria entre o Ipea e o Ministério da Integração Nacional, é algo raro no estado. “No Rio de Janeiro, não temos tido, historicamente, o hábito de olhar para nossa terra. Não nos acostumamos a olhar para problemas locais e regionais com força. Temos a tradição de olhar o Brasil”, explicou.

Segundo Neri, essa realidade vem mudando, e soluções locais, como as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), ganharam “vocação de exportação” para outros estados. O presidente do Ipea afirmou que a divulgação da nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), na próxima sexta-feira, dia 21, deve trazer boas notícias sobre os progressos sociais do Brasil entre 2001 e 2011. “Na área social, estamos assistindo a novidades. Gosto de chamar de ‘novo federalismo social’, em que estados e municípios aliam-se ao governo federal em sua atuação.”

Dívidas históricas
O representante do Ministério da Integração Nacional na mesa de abertura, Sérgio Duarte de Castro, secretário de Desenvolvimento Regional, reiterou as disparidades na distribuição da riqueza e das estruturas produtivas no Brasil. “Temos duas grandes dívidas históricas: as desigualdades sociais e regionais. Desde a Constituição de 1988, começamos a enfrentar mais ativamente a dívida social”, afirmou.

De acordo com o secretário, o Brasil é um dos poucos países que vive um momento de desconcentração, contrariando a tendência mundial. “Vivemos um momento crítico. Dados econômicos mostram que o surto de crescimento com expansão do mercado interno dá sinais de esgotamento. Precisamos criar condições de competitividade, criando estrutura produtiva nos espaços menos desenvolvidos, como alavanca para o desenvolvimento com equidade social”, acrescentou.

A mesa de abertura contou, ainda, com representantes da Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro (FAMERJ), da Associação Nacional de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional (Anpur), do Sebrae e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A conferência no Rio de Janeiro homenageia Lysia Bernardes, geógrafa, pesquisadora e professora que se dedicou a pensar o planejamento com foco regional.

Anúncios

0 Responses to “Conferência no RJ renova o debate sobre o território”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Ipea no twitter

  • @paulocbastos Muito obrigado por compartilhá-lo com a gente! Excelente artigo! 👏👏👏 10 hours ago
  • É importante promover o debate contemporâneo sobre a elaboração e a implementação de políticas públicas para a democratização da água. 11 hours ago
  • Essas e outras questões são abordadas no livro O Direito à Água como Política Pública na América Latina: uma exploração teórica e empírica 11 hours ago
  • A seca prolongada e a atual crise hídrica nos chamam a atenção para o direito humano à água! O que significa a exis… twitter.com/i/web/status/9… 11 hours ago

Insira seu email e receba atualizações por email.

Junte-se a 34 outros seguidores


%d blogueiros gostam disto: