Code/RR debateu peculiaridades da Região Norte

Questões ligadas aos indígenas, Amazônia Legal e faixas de fronteiras foram as mais debatidas

Murilo Pires discursa durante abertura da Code Roraima (Foto: Rafael Marques)

Três aspectos foram muito abordados na Conferência do Desenvolvimento, edição Roraima, aberta nesta quarta-feira, 12, às 10h, no Palácio Senador Hélio Campos, em Boa Vista: as questões socio ambientais, já que o estado faz parte da Amazônia Legal; as relacionadas à população indígena, que ocupa aproximadamente 46% do território estadual; e as que envolvem relações comerciais internacionais — mais de 50% do território roraimense faz fronteira com Venezuela e Guiana. De acordo com o vice-governador, Chico Rodrigues, que presidiu a solenidade, por sua localização estratégica Roraima pode e deve ser partícipe do desenvolvimento do país e em particular, da Região Norte.

O secretário de Estado do Planejamento, Haroldo Amora, fez uma ampla explanação sobre as questões que envolvem Roraima, destacando que até agora os programas relacionados à integração do Brasil com os países vizinhos privilegiam os grandes estados da Região, Amazonas e Pará, esquecendo os demais. Nesse aspecto, ele ressaltou a atuação do escritório do Ipea na Venezuela, que com o apoio de outras instituições brasileiras, faz parte de um esforço de integração do Brasil com o país vizinho. “Já recebemos quatro visitas dos representantes do Instituto que estão instalados naquele país com este objetivo”, afirmou.

Falando sobre o padrão de desenvolvimento brasileiro, o assessor Técnico da Presidência do Ipea Murilo Pires disse que, de acordo com dados recentes, o crescimento real médio brasileiro no período de 2004 a 2011, em uma perspectiva histórica, foi de 4,3% ao ano. Quase o dobro da média observada nas duas décadas imediatamente anteriores, e pouco menos de dois terços da média observada entre 1947 (o primeiro ano para o qual existem dados oficiais) e 1980.

O pesquisador observou que o contexto internacional favorável ajudou muito, já que exportações e importações aumentaram consideravelmente. Mas acrescentou que a economia brasileira tem sido puxada pelo mercado interno desde, pelo menos, 2006, especialmente em comparação com países latino-americanos importantes. E isso segundo ele, passa pelo investimento público.

Para Murilo Pires, o modelo brasileiro de crescimento inclusivo pode avançar. E mesmo com as ameaças no horizonte externo, a economia brasileira está estruturalmente bem posicionada. “Crescentemente impulsionada por um processo de redistribuição da renda e inclusão social sem paralelos na história recente do país, a economia brasileira está preparada para ultrapassar bem a tormenta externa a partir da dinamização de seu mercado interno avançando nos desafios referentes a sua estrutura produtiva.

De acordo com Marcio Giovani, do Ministério da Integração Nacional, o público alvo da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR) basicamente, são as regiões menos desenvolvidas. “A idéia é aproximar as regiões menos desenvolvidas das mais desenvolvidas, e que isso contribua para o desenvolvimento nacional”, garantiu. Ele acrescentou que isso passa, em maior ou em menor grau, por vários aspectos e deu o exemplo da concentração industrial como uma das formas de se identificar essas desigualdades regionais. Giovani concluiu afirmando que o MI já está trabalhando em um plano que contemple todos os pontos sensíveis aos estados das regiões que apresentam questões bem características como as que abrigam reservas indígenas, as que fazem fronteira com outros países, entre outras peculiaridades. Ele recebeu das mãos do vice-governador o Plano de Desenvolvimento e Integração da Faixa de Fronteira, desenvolvido pelo Governo de Roraima.

A Conferência
As Conferências estaduais do Desenvolvimento são realizadas desde 2011 e antecedem a etapa Nacional, que ocorre em Brasília. Os painéis e mesas de debate da Code subsidiarão as discussões dos grupos de trabalho da CNDR e ao final do processo das conferências, serão definidos princípios e diretrizes para a elaboração da nova versão da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR).

No primeiro ano, São Paulo, Paraíba e Bahia realizaram suas Codes. Este ano o evento ocorre em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, em simultâneo às Conferências estaduais e Nacional de Desenvolvimento Regional (CNDR), promovidas pelo Ministério da Integração Nacional (MI) e governos estaduais. No caso de Roraima, a etapa estadual da Code e da CNDR tem a parcerias promovida pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Planejamento.

Anúncios

0 Responses to “Code/RR debateu peculiaridades da Região Norte”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Ipea no twitter

  • @paulocbastos Muito obrigado por compartilhá-lo com a gente! Excelente artigo! 👏👏👏 10 hours ago
  • É importante promover o debate contemporâneo sobre a elaboração e a implementação de políticas públicas para a democratização da água. 11 hours ago
  • Essas e outras questões são abordadas no livro O Direito à Água como Política Pública na América Latina: uma exploração teórica e empírica 11 hours ago
  • A seca prolongada e a atual crise hídrica nos chamam a atenção para o direito humano à água! O que significa a exis… twitter.com/i/web/status/9… 11 hours ago

Insira seu email e receba atualizações por email.

Junte-se a 34 outros seguidores


%d blogueiros gostam disto: