CODE explora os rumos da América Latina

O último dia da Conferência do Desenvolvimento (CODE/Ipea 2011) trouxe como uma de suas principais atividades o painel “Os rumos da América Latina”, que teve como participantes o secretários executivo-adjunto da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), Antônio Prado; o alto representante-geral do Mercosul, Samuel Pinheiro Guimarães e Moira Paz Estenssoro, da Corporação Andina de Fomento (CAF). Mediado pelo diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Marcos Antônio Cintra, o debate teve como proposta a discussão da inserção internacional da América Latina, em um mundo em que o eixo da acumulação de capital se destaca cada vez mais em direção à Ásia.

Antônio Prado falou da crise desencadeada em 2008, que em sua opinião, ainda não superada, não teve apenas um significativo impacto econômico e social, mas também político. Para ele, a crise representa um ponto de inflexão, pois quebrou a continuidade de um modelo que se associa a duas décadas de concentração de riqueza. Isso teria gerado espaços de profundos debates sobre temas como a necessidade de definição da lógica de acumulação econômica, as regras do sistema econômico mundial, e o papel do Estado e das políticas públicas.

Sobre onde estão a América Latina e o Caribe hoje, Prado falou que estão aprendendo com o passado: mais resilientes em termos macroeconômicos, progredindo em termos sociais e ainda necessitando construir resiliência social. “A situação internacional está caracterizada por uma grande incerteza, com paralisação das economias desenvolvidas e desaceleração das emergentes”, disse. Ele acrescentou que o poder econômico mundial está movimentando-se do Atlântico para o Pacífico, do Norte para o Sul e, que o crescimento dos países em desenvolvimento depende cada vez mais da China, sócio comercial fundamental para a maioria deles.

Integração

Moira Paz Estenssoro, pontuou que apesar dos aspectos negativos, das dificuldades, das desigualdades sociais, os países da América Latina ainda têm tem apresentado resultados positivos em áreas como no que diz respeito a redução da mortalidade e a melhoramentos na educação e saúde. “O surpreendente é que apesar dos aspectos negativos das políticas econômicas dos anos 90, podemos destacar algo positivo que é termos assumido uma cultura disciplinada em termos de estabilidade. Coisa que os Estados Unidos e países da Europa não demonstram mais, já que seus endividamentos foram maiores que o aceitável para as suas correspondentes administrações públicas destas economias”, opinou.

Em termos de recursos naturais, que devem vir agregado a investimentos em infraestrutura, Moira acredita que é preciso fortalecer as instituições financeiras. Para ela, é necessário, sobretudo, fortalecer o conceito de integração entre os países e destinar maiores recursos para essas regiões e uma maior presença do Estado. “O desafio realmente é sair desta conjuntura de exportadores de matérias primas e tentar aproveitar este momento de bonança para levar a região a uma transformação produtiva que permita a incorporação da classe média, da geração de novos postos de trabalho e da redução das desigualdades”, falou.

A representante da CAF disse ainda, que é interessante também neste momento, analisar o papel da China e do Pacífico nesta conjuntura. “Podemos ver a China, não só como um poder, mas também buscando parcerias. E isso vai depender do nosso fortalecimento institucional e, sobretudo, da proteção dos nossos mercados, no sentido não fechá-los, mas de permitir uma maior inovação, um maior desenvolvimento de tecnologias, para uma maior competitividade dos nossos produtos”, destacou.

Moira ressaltou que o Brasil tem demonstrado resultados extraordinários nos últimos dez anos e o resto da América Latina deve aproveitar. “O que percebemos que o Brasil não conhece bem o resto da região e esta não conhece o Brasil. Não é só a barreira da língua. Acho que há mais do que isso”, concluiu.

Mercosul

Ex-ministro do governo Lula, Samuel Pinheiro Guimarãe falou da questão do Mercosul e da integração no momento atual. Segundo ele, o Mercosul não está isolado no mundo. Está profundamente integrado à economia internacional. “A situação internacional passa por um momento de profunda transformação desde 1929. Não é o fim do Sistema Capitalista. Muito pelo contrário. É um processo de transformação muito complexo dos pontos de vista tecnológico e econômico”, pontuou.

Outro ponto entre os abordados pelo alto representante-geral do Mercado Comum do Sul (Maercosul) foi o de que a China já o está afetando profundamente e aos países que o compreendem, porque afeta sua economia. De acordo com Samuel, a questão da crise está muito relacionada à China, porque este é o maior exportador do mundo e o segundo em importação, sendo um grande comprador de matérias primas e energia. Isso afetaria diretamente o Brasil e demais países, já que essa é uma demanda que interfere na política cambial desses países e, dependendo de como administram isso, têm suas exportações aumentadas.

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  • @paulocbastos Muito obrigado por compartilhá-lo com a gente! Excelente artigo! 👏👏👏 10 hours ago
  • É importante promover o debate contemporâneo sobre a elaboração e a implementação de políticas públicas para a democratização da água. 11 hours ago
  • Essas e outras questões são abordadas no livro O Direito à Água como Política Pública na América Latina: uma exploração teórica e empírica 11 hours ago
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