Code debate mudanças, limites e contradições do novo padrão de desenvolvimento

“Novo padrão de desenvolvimento: mudanças, limites e contradições”. Este foi o tema principal apresentado pelo eixo Macroeconomia para o Desenvolvimento na tarde desta quinta-feira, 24, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília, na segunda edição nacional da Conferência do Desenvolvimento (CODE/Ipea 2011). Mediado pela diretora de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto, Vanessa Petrelli, o painel contou com a participação do conselheiro do Ipea, Luis Carlos Bresser Pereira e do professor emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF), Teothonio dos Santos.

Integrantes do painél debatem o modelo de macroeconomia para o país (Foto: Sidney Murrieta)

Bresser Pereira deu início ao debate fazendo um questionamento: “A economia brasileira hoje segue uma estratégia desenvolvimentista ou uma estratégia liberal? Ou ainda mais: neoliberal?”. Na prática, segundo ele, o país pode estar no meio do caminho entre as duas, mas é muito importante perceber que há duas formas de se entender teoricamente a economia e de desenvolver uma estratégia de desenvolvimento. “Ou se tem uma estratégia desenvolvimentista ou se tem uma estratégia neoliberal”, garantiu.

Dentro dessa teoria, o economista levantou algumas questões sobre as referidas estratégias – neoliberal ou Consenso de Washington e desenvolvimentista ou neoclássica. O ex-ministro destacou que o Brasil não é atualmente o modelo desenvolvimentista dos seus sonhos, porque esse caminho só é viável quando toda a sociedade participa dele e, isso, em sua opinião, ainda não é uma realidade. Mas também acredita que houve uma mudança brutal de hoje para o que era há dez anos. “Há dez anos, o que quer que eu falasse era visto com grande desconfiança e hoje está tudo mundo interessado em saber, finalizou, destacando que já é um grande avanço.

Utilizando uma linha de pesquisa que passa a ser objeto único, inclusive hegemônico, como China, parte da Ásia e África, o professor Teothonio dos Santos fez um tipo de análise que permitisse uma aproximação da realidade tentando, segundo ele, não partir de modelos que levassem a deduzir essa realidade. E sim, fazer uma análise concreta da situação. Em sua opinião, essa é a posição que qualquer evolução política correta tem de assumir.

“A tradição neoclássica é exatamente o contrário! É uma tradição que parte de um pressuposto não muito debatido”, destacou o especialista. Ele acredita que, de certa forma, sobre a ideia de que o Consenso de Washington seria um marco muito definitivo durante um longo período, nunca foi discutido pela população brasileira nem pelas outras populações do mundo onde foi aplicado.

Teothonio destacou que quando este consenso começou a entrar em crise, surgiu a ideia do Consenso de Pequim, que os chineses renegaram, já que não se consideravam modelo pra ninguém, no sentido de que se estabeleçam modelos econômicos para as demais nações. Para a república da China, cada país tem de desenvolver seu próprio modelo, levando em conta sua história, seu processo político e social, tese plenamente compartilhada pelo estudioso.

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