Arquivo para novembro \29\UTC 2011

CODE explora os rumos da América Latina

O último dia da Conferência do Desenvolvimento (CODE/Ipea 2011) trouxe como uma de suas principais atividades o painel “Os rumos da América Latina”, que teve como participantes o secretários executivo-adjunto da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), Antônio Prado; o alto representante-geral do Mercosul, Samuel Pinheiro Guimarães e Moira Paz Estenssoro, da Corporação Andina de Fomento (CAF). Mediado pelo diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Marcos Antônio Cintra, o debate teve como proposta a discussão da inserção internacional da América Latina, em um mundo em que o eixo da acumulação de capital se destaca cada vez mais em direção à Ásia.

Antônio Prado falou da crise desencadeada em 2008, que em sua opinião, ainda não superada, não teve apenas um significativo impacto econômico e social, mas também político. Para ele, a crise representa um ponto de inflexão, pois quebrou a continuidade de um modelo que se associa a duas décadas de concentração de riqueza. Isso teria gerado espaços de profundos debates sobre temas como a necessidade de definição da lógica de acumulação econômica, as regras do sistema econômico mundial, e o papel do Estado e das políticas públicas.

Sobre onde estão a América Latina e o Caribe hoje, Prado falou que estão aprendendo com o passado: mais resilientes em termos macroeconômicos, progredindo em termos sociais e ainda necessitando construir resiliência social. “A situação internacional está caracterizada por uma grande incerteza, com paralisação das economias desenvolvidas e desaceleração das emergentes”, disse. Ele acrescentou que o poder econômico mundial está movimentando-se do Atlântico para o Pacífico, do Norte para o Sul e, que o crescimento dos países em desenvolvimento depende cada vez mais da China, sócio comercial fundamental para a maioria deles.

Integração

Moira Paz Estenssoro, pontuou que apesar dos aspectos negativos, das dificuldades, das desigualdades sociais, os países da América Latina ainda têm tem apresentado resultados positivos em áreas como no que diz respeito a redução da mortalidade e a melhoramentos na educação e saúde. “O surpreendente é que apesar dos aspectos negativos das políticas econômicas dos anos 90, podemos destacar algo positivo que é termos assumido uma cultura disciplinada em termos de estabilidade. Coisa que os Estados Unidos e países da Europa não demonstram mais, já que seus endividamentos foram maiores que o aceitável para as suas correspondentes administrações públicas destas economias”, opinou.

Em termos de recursos naturais, que devem vir agregado a investimentos em infraestrutura, Moira acredita que é preciso fortalecer as instituições financeiras. Para ela, é necessário, sobretudo, fortalecer o conceito de integração entre os países e destinar maiores recursos para essas regiões e uma maior presença do Estado. “O desafio realmente é sair desta conjuntura de exportadores de matérias primas e tentar aproveitar este momento de bonança para levar a região a uma transformação produtiva que permita a incorporação da classe média, da geração de novos postos de trabalho e da redução das desigualdades”, falou.

A representante da CAF disse ainda, que é interessante também neste momento, analisar o papel da China e do Pacífico nesta conjuntura. “Podemos ver a China, não só como um poder, mas também buscando parcerias. E isso vai depender do nosso fortalecimento institucional e, sobretudo, da proteção dos nossos mercados, no sentido não fechá-los, mas de permitir uma maior inovação, um maior desenvolvimento de tecnologias, para uma maior competitividade dos nossos produtos”, destacou.

Moira ressaltou que o Brasil tem demonstrado resultados extraordinários nos últimos dez anos e o resto da América Latina deve aproveitar. “O que percebemos que o Brasil não conhece bem o resto da região e esta não conhece o Brasil. Não é só a barreira da língua. Acho que há mais do que isso”, concluiu.

Mercosul

Ex-ministro do governo Lula, Samuel Pinheiro Guimarãe falou da questão do Mercosul e da integração no momento atual. Segundo ele, o Mercosul não está isolado no mundo. Está profundamente integrado à economia internacional. “A situação internacional passa por um momento de profunda transformação desde 1929. Não é o fim do Sistema Capitalista. Muito pelo contrário. É um processo de transformação muito complexo dos pontos de vista tecnológico e econômico”, pontuou.

Outro ponto entre os abordados pelo alto representante-geral do Mercado Comum do Sul (Maercosul) foi o de que a China já o está afetando profundamente e aos países que o compreendem, porque afeta sua economia. De acordo com Samuel, a questão da crise está muito relacionada à China, porque este é o maior exportador do mundo e o segundo em importação, sendo um grande comprador de matérias primas e energia. Isso afetaria diretamente o Brasil e demais países, já que essa é uma demanda que interfere na política cambial desses países e, dependendo de como administram isso, têm suas exportações aumentadas.

Debate sobre educação e cultura encerra a 2ª Conferência do Desenvolvimento

“O desenvolvimento não é apenas a expansão da base material da economia, temos hoje um processo de transição para uma sociedade para além do trabalho material, por isso a educação precisa ser vista em outra perspectiva”. Foi com estas palavras, que enfatizam a importância do conhecimento como fundamento para o desenvolvimento, que o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Márcio Pochmann, iniciou o debate de encerramento da 2ª Conferência do Desenvolvimento (Code/Ipea).

Público assiste ao painel de encerramento da 2ª CODE, no Palco Convergência da #arenaCODE (Foto: Sidney Murrieta)

Para o presidente do Ipea, o Brasil precisa de uma nova forma de entender a educação, num modelo de aprendizagem contínua, que não termina após o ensino superior. “O ensino superior era visto antes como um teto, e para os níveis mais altos da sociedade, hoje temos a perspectiva de viver 100 anos e o setor de serviços responde pela maior parte do PIB, a educação precisa ser para a vida inteira”.

Na mesa sobre Educação e Cultura, realizada no espaço #arenaCODE, Pochmann ressaltou ainda a multiplicidade de questões abordadas na Conferência do Desenvolvimento: “reunir diferentes temas numa perspectivas de desenvolvimento amplo é o objetivo da Code”.

2ª Code

Durante três dias (23, 24 e 25 de novembro), a Conferência do Desenvolvimento, organizada pelo Ipea em Brasília, reuniu mais mil palestrantes em cerca de 100 mesas de debates. Diversos aspectos do desenvolvimento foram abordados, seguindo os eixos que estruturam o evento (inserção internacional soberana; macroeconomia para o desenvolvimento; fortalecimento do Estado, das instituições e da Democracia; estrutura tecnoprodutiva integrada e regionalmente articulada; infraestrutura econômica, social e urbana; proteção social, garantia de direitos e geração de oportunidades; e sustentabilidade ambiental).

Autoridades, especialistas, pesquisadores, gestores públicos e legisladores de todo país estiveram presentes no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, além de cerca de 800 estudantes que vieram das cinco regiões brasileiras.

#arenaCODE discutiu realidade das economias solidária e criativa

A produção cultural brasileira tem passado por intensas transformações, provocadas, sobretudo, por meio da ação de grupos de agentes independentes, como o é caso do Coletivo Fora do Eixo (FdE). Um de seus membros, Leonardo Rossato, que atualmente representa o FdE na capital federal, participou na manhã desta sexta-feira,25, de uma mesa sobre empreendimentos colaborativos na #arenaCode, espaço dedicado à discussão de economia criativa e cultura digital dentro da 2ª Conferência do Desenvolvimento (Code).

Quem também participou foi coordenadora-geral de Promoção e Divulgação da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Regilane Fernandes.

Para possibilitar, no caso dos festivais de música, que os artistas e produtores envolvidos possam obter renda e viver do trabalho que fazem, esses eventos têm se transformado em “festivais de artes transversais”, na definição de Rossato.

Ele explicou que, reunindo num mesmo local artistas da música, artes plásticas, moda, iniciativas de comunicação, empreendimentos comerciais de cunho social e comunitário, é mais fácil e atrativo reunir público, que consuma essa cultura, financeiramente, mas também de outras maneiras – por meio de estabelecimento de rede de contatos e colaborações, por exemplo.

A cultura digital, que engloba plataformas de financiamentos coletivos, comunicação facilitada por meio das redes sociais, download de produções musicais, e audiovisuais, entre outros fatores, proporciona, na avaliação de Rossato, a “desintermediação do processo musical” e artístico. “O comércio na cultura mais justo é muito importante, porque o artista precisa viver do que faz” frisou.

Regilane pontuou que empreendimentos colaborativos estão sob atenção especial do governo federal recentemente. Segundo ela, o governo se atentou para as potencialidades de coletivos de economia solidária e economia criativa, com a criação de órgãos dedicados ao mapeamento, estudo e planejamento de políticas que colaborem com ações já em desenvolvimento em vários pontos por todo o Brasil.

A coordenadora alertou, porém, para a necessidade de se entender que economia criativa e economia solidária são conceitos diferentes, e definem formas de organização socioeconômicas distintas. “O governo (federal) reconhece essa diferença, e o tratamento a esses movimentos acontece em espaços diferentes”concluiu.

Code debate mudanças, limites e contradições do novo padrão de desenvolvimento

“Novo padrão de desenvolvimento: mudanças, limites e contradições”. Este foi o tema principal apresentado pelo eixo Macroeconomia para o Desenvolvimento na tarde desta quinta-feira, 24, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília, na segunda edição nacional da Conferência do Desenvolvimento (CODE/Ipea 2011). Mediado pela diretora de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto, Vanessa Petrelli, o painel contou com a participação do conselheiro do Ipea, Luis Carlos Bresser Pereira e do professor emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF), Teothonio dos Santos.

Integrantes do painél debatem o modelo de macroeconomia para o país (Foto: Sidney Murrieta)

Bresser Pereira deu início ao debate fazendo um questionamento: “A economia brasileira hoje segue uma estratégia desenvolvimentista ou uma estratégia liberal? Ou ainda mais: neoliberal?”. Na prática, segundo ele, o país pode estar no meio do caminho entre as duas, mas é muito importante perceber que há duas formas de se entender teoricamente a economia e de desenvolver uma estratégia de desenvolvimento. “Ou se tem uma estratégia desenvolvimentista ou se tem uma estratégia neoliberal”, garantiu.

Dentro dessa teoria, o economista levantou algumas questões sobre as referidas estratégias – neoliberal ou Consenso de Washington e desenvolvimentista ou neoclássica. O ex-ministro destacou que o Brasil não é atualmente o modelo desenvolvimentista dos seus sonhos, porque esse caminho só é viável quando toda a sociedade participa dele e, isso, em sua opinião, ainda não é uma realidade. Mas também acredita que houve uma mudança brutal de hoje para o que era há dez anos. “Há dez anos, o que quer que eu falasse era visto com grande desconfiança e hoje está tudo mundo interessado em saber, finalizou, destacando que já é um grande avanço.

Utilizando uma linha de pesquisa que passa a ser objeto único, inclusive hegemônico, como China, parte da Ásia e África, o professor Teothonio dos Santos fez um tipo de análise que permitisse uma aproximação da realidade tentando, segundo ele, não partir de modelos que levassem a deduzir essa realidade. E sim, fazer uma análise concreta da situação. Em sua opinião, essa é a posição que qualquer evolução política correta tem de assumir.

“A tradição neoclássica é exatamente o contrário! É uma tradição que parte de um pressuposto não muito debatido”, destacou o especialista. Ele acredita que, de certa forma, sobre a ideia de que o Consenso de Washington seria um marco muito definitivo durante um longo período, nunca foi discutido pela população brasileira nem pelas outras populações do mundo onde foi aplicado.

Teothonio destacou que quando este consenso começou a entrar em crise, surgiu a ideia do Consenso de Pequim, que os chineses renegaram, já que não se consideravam modelo pra ninguém, no sentido de que se estabeleçam modelos econômicos para as demais nações. Para a república da China, cada país tem de desenvolver seu próprio modelo, levando em conta sua história, seu processo político e social, tese plenamente compartilhada pelo estudioso.

Livro lançado na Conferência debate diversos pontos de vista sobre a Bioética

O livro Bioética em debate: aqui e lá fora, editado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foi lançado nesta quinta-feira, 24, no segundo dia da Conferência do Desenvolvimento (Code). Organizado pelo secretário-executivo adjunto da Secretaria-Geral da Presidência da República, Swedenberger do Nascimento Barbosa, a publicação apresenta diversos pontos de vista sobre o tema e está dividida em duas partes.

A primeira resgata as contribuições dos participantes de um seminário realizado em 2010 pelo Ipea. Em seguida, são apresentados quatro textos de debate de escritos por especialistas da UNESCO, Universidade de Brasília (UnB) e Uniceub.

Estiveram presentes na mesa de lançamento, além do organizador Swedenberger Barbosa, o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior, o presidente do Instituto, Márcio Pochmann, e o professor da UnB e membro do Comitê Internacional de Bioética da UNESCO Volnei Garrafa.

Comunicação e Desenvolvimento é tema de novo livro de José Marques de Melo

Primeiro brasileiro a defender tese de doutorado em jornalismo na Universidade de São Paulo e uma das principais autoridades nessa área do conhecimento no Brasil, José Marques de Melo, lanço seu novo livro Brasil Democrático: Comunicação e Desenvolvimento, editado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A publicação foi lançada na tarde de quinta-feira, 24, com uma sessão de autógrafos, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília, durante a segunda edição da Conferência do Desenvolvimento (Code).

O livro é uma contribuição para o debate nacional em torno de questões agendadas pela sociedade, repercutidas intensamente na mídia. Ele agrupa três conjuntos de estudos elaborados nos últimos cinco anos: ensaios que revisam o arcabouço teórico do pensamento comunicacional brasileiro; perfis biográficos ou exegeses autorais, localizados no tempo e no espaço; e questões conjunturais relevantes para a compreensão da práxis vigente no país.

Compondo a mesa também estiveram Aristides Monteiro Neto, assessor-chefe de Planejamento e Articulação Institucional de Projetos e Pesquisa do Ipea, que foi quem prefaciou a obra, e o assessor-chefe de Imprensa e Comunicação do Instituto, Daniel Castro. Antes do lançamento, pela manhã, o autor também esteve presente a um debate em torno do tema.

Painel da 2ª Code/Ipea abordará os rumos da América Latina

Nesta sexta-feira, 25, às 9h, a 2ª Conferência do Desenvolvimento terá o painel Os rumos da América Latina, correpondente ao eixo “Inserção internacional soberana”. São esperados para o debate, na sala Gustavo Capanema do Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília, o alto representante-geral do Mercosul, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, o secretário-executivo adjunto da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Antônio Prado, e Moira Paz Estenssoro, da Corporação Andina de Fomento (CAF).

O objetivo do painel será discutir a inserção internacional da América Latina em um mundo em que o eixo de acumulação de capital se desloca cada vez mais em direção à Ásia. Os participantes debaterão qual o papel a ser desempenhado pelos países latino-americanos nessa nova divisão internacional do trabalho. A entrada na 2ª Code/Ipea é franca, e as atividades nesta sexta-feira, último dia da Conferência, começam às 8h30.