Ipea lança biblioteca eletrônica durante a CODE

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou, durante a 2ª Conferência do Desenvolvimento (Code) uma página exclusiva para publicações digitais. Para acessar os livros online ou baixar os arquivos para tablet, acesse: www.ipea.gov.br/digital.

Por enquanto estão disponíveis onze títulos, em duas versões: em E-book e E-pub. Mas a intenção do Ipea é evoluir a conversão para que cada novo título lançado pelo Instituto seja disponibilizado também em E-book e E-pub.

No formato E-book, o livro pode ser lido imediatamente, pois é a versão online. Já no formato E-pub, o conteúdo pode ser baixado, para depois ser aberto em qualquer tablet, sem a necessidade de conexão com a internet.

Gênero e raça foram tema de debate na 2ª Code

O Espaço de Gênero e Raça instalado na 2ª Conferência do Desenvolvimento do Ipea (Code/Ipea), nos dias 23, 24 e 25 de novembro no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília, fez referência ao ano de 2011, definido pelas Nações Unidas como o Ano Internacional dos Afrodescendentes, homenagem aos 10 anos da Declaração e do Plano de Ação de Durban (conferência anual de ação contra o racismo e a discriminação étnico-racial em todo o planeta). O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que desenvolve trabalhos sobre desigualdades raciais no Brasil, ampliou essa referência aos debates nos três dias de conferência com o lançamento da 4ª Edição do Retratos das Desigualdades de Gênero e Raça.

Ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, em sua fala na mesa de abertura do Espaço, ladeada à esquerda pelo presidente do Ipea, Marcio Pochmann, e pela representante da ONU Mulheres para o Brasil e Cone Sul, Rebecca Reichmann Tavares, e do lado direito por Mário Theodoro, da Seppir (Foto: Mara Silva)

A publicação disponibiliza à sociedade indicadores sociais para análises das desigualdades raciais e de gênero em 12 áreas. Dentre os temas, estão: demografia, chefia de família, educação, saúde, previdência e assistência social, trabalho e trabalho doméstico, habitação e saneamento, acesso a bens duráveis e exclusão digital, pobreza e desigualdade de renda, uso do tempo e vitimização. O objetivo é a reflexão sobre as desigualdades raciais em vários campos e fortalecer as análises sobre políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial e de gênero.

A técnica de Planejamento e Pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc), Luana Simões Pinheiro, afirmou que o Espaço Gênero e Raça foi pensado como um instrumento organizador de reflexões e debates sobre as desigualdades de gênero e de raça desenvolvidas a partir de um mesmo marco orientador, que foi a pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero Raça, lançada no dia 23/11, na própria Code.

A partir dos indicadores e das informações produzidas no Retrato, tornou-se possível, segundo Luana, construir um amplo diagnóstico sobre as condições de vida de mulheres e de negros/as no Brasil, em áreas tão variadas quanto educação, saúde, trabalho, previdência e assistência social, infraestrutura social e urbana, acesso a bens duráveis, violência, entre outras. A instituição do Espaço Gênero e Raça traz, neste contexto, possibilidades de que todos estes temas sejam tratados e pensados de forma integrada, como partes de um mesmo processo de exclusão e desigualdade a que estas populações ainda encontram-se submetidas no país.

Durante os três dias de evento, pesquisadoras e pesquisadores de diferentes origens expuseram suas ideias a respeito da presença de negros/as e de mulheres nos mais diferentes espaços da vida social. “Estimulamos, neste processo, a participação de jovens mulheres negras, que estão iniciando suas trajetórias como pesquisadoras e que, no espaço da Code, puderam, a partir de suas histórias de vida, trocar experiências, conhecimentos e vivências e, assim, contribuir com novas perspectivas e olhares sobre as desigualdades que marcam nossa sociedade”, contou.

O resultado do processo acontecido durante a Code será a publicação de um livro em 2012, que por enquanto está sendo chamado de Dossiê Mulheres Negras, que será feito por estas jovens mulheres negras, a partir das reflexões iniciadas no Espaço Gênero e Raça.

“Do ponto de vista da construção de uma definição de desenvolvimento, um espaço como este é importante para marcar, visibilizar e reafirmar a ideia de que o desenvolvimento não existe quando expressivas parcelas da população são impossibilitadas de acessar os benefícios por ele gerados”, elaborou Luana.

Ela concluiu dizendo que há que se considerar as desigualdades de gênero e raça como estruturantes da desigualdade social brasileira e que isso significa considerar estas dimensões em toda e qualquer estratégia de promoção do desenvolvimento – seja ele econômico, social, ambiental – que objetive, de fato, produzir melhoria do bem-estar para toda a população brasileira.

No último dia da Code, para finalizar o evento, foi realizado um show da cantora Margareth Menezes. Entrevistada pelo Ipea, a cantora, que prometeu um show cheio de energia, falou sobre o tema “Latinidades”. Leia aqui a matéria (http://blogdacodeipea.wordpress.com/tag/latinidades/).

CODE explora os rumos da América Latina

O último dia da Conferência do Desenvolvimento (CODE/Ipea 2011) trouxe como uma de suas principais atividades o painel “Os rumos da América Latina”, que teve como participantes o secretários executivo-adjunto da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), Antônio Prado; o alto representante-geral do Mercosul, Samuel Pinheiro Guimarães e Moira Paz Estenssoro, da Corporação Andina de Fomento (CAF). Mediado pelo diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Marcos Antônio Cintra, o debate teve como proposta a discussão da inserção internacional da América Latina, em um mundo em que o eixo da acumulação de capital se destaca cada vez mais em direção à Ásia.

Antônio Prado falou da crise desencadeada em 2008, que em sua opinião, ainda não superada, não teve apenas um significativo impacto econômico e social, mas também político. Para ele, a crise representa um ponto de inflexão, pois quebrou a continuidade de um modelo que se associa a duas décadas de concentração de riqueza. Isso teria gerado espaços de profundos debates sobre temas como a necessidade de definição da lógica de acumulação econômica, as regras do sistema econômico mundial, e o papel do Estado e das políticas públicas.

Sobre onde estão a América Latina e o Caribe hoje, Prado falou que estão aprendendo com o passado: mais resilientes em termos macroeconômicos, progredindo em termos sociais e ainda necessitando construir resiliência social. “A situação internacional está caracterizada por uma grande incerteza, com paralisação das economias desenvolvidas e desaceleração das emergentes”, disse. Ele acrescentou que o poder econômico mundial está movimentando-se do Atlântico para o Pacífico, do Norte para o Sul e, que o crescimento dos países em desenvolvimento depende cada vez mais da China, sócio comercial fundamental para a maioria deles.

Integração

Moira Paz Estenssoro, pontuou que apesar dos aspectos negativos, das dificuldades, das desigualdades sociais, os países da América Latina ainda têm tem apresentado resultados positivos em áreas como no que diz respeito a redução da mortalidade e a melhoramentos na educação e saúde. “O surpreendente é que apesar dos aspectos negativos das políticas econômicas dos anos 90, podemos destacar algo positivo que é termos assumido uma cultura disciplinada em termos de estabilidade. Coisa que os Estados Unidos e países da Europa não demonstram mais, já que seus endividamentos foram maiores que o aceitável para as suas correspondentes administrações públicas destas economias”, opinou.

Em termos de recursos naturais, que devem vir agregado a investimentos em infraestrutura, Moira acredita que é preciso fortalecer as instituições financeiras. Para ela, é necessário, sobretudo, fortalecer o conceito de integração entre os países e destinar maiores recursos para essas regiões e uma maior presença do Estado. “O desafio realmente é sair desta conjuntura de exportadores de matérias primas e tentar aproveitar este momento de bonança para levar a região a uma transformação produtiva que permita a incorporação da classe média, da geração de novos postos de trabalho e da redução das desigualdades”, falou.

A representante da CAF disse ainda, que é interessante também neste momento, analisar o papel da China e do Pacífico nesta conjuntura. “Podemos ver a China, não só como um poder, mas também buscando parcerias. E isso vai depender do nosso fortalecimento institucional e, sobretudo, da proteção dos nossos mercados, no sentido não fechá-los, mas de permitir uma maior inovação, um maior desenvolvimento de tecnologias, para uma maior competitividade dos nossos produtos”, destacou.

Moira ressaltou que o Brasil tem demonstrado resultados extraordinários nos últimos dez anos e o resto da América Latina deve aproveitar. “O que percebemos que o Brasil não conhece bem o resto da região e esta não conhece o Brasil. Não é só a barreira da língua. Acho que há mais do que isso”, concluiu.

Mercosul

Ex-ministro do governo Lula, Samuel Pinheiro Guimarãe falou da questão do Mercosul e da integração no momento atual. Segundo ele, o Mercosul não está isolado no mundo. Está profundamente integrado à economia internacional. “A situação internacional passa por um momento de profunda transformação desde 1929. Não é o fim do Sistema Capitalista. Muito pelo contrário. É um processo de transformação muito complexo dos pontos de vista tecnológico e econômico”, pontuou.

Outro ponto entre os abordados pelo alto representante-geral do Mercado Comum do Sul (Maercosul) foi o de que a China já o está afetando profundamente e aos países que o compreendem, porque afeta sua economia. De acordo com Samuel, a questão da crise está muito relacionada à China, porque este é o maior exportador do mundo e o segundo em importação, sendo um grande comprador de matérias primas e energia. Isso afetaria diretamente o Brasil e demais países, já que essa é uma demanda que interfere na política cambial desses países e, dependendo de como administram isso, têm suas exportações aumentadas.

Debate sobre educação e cultura encerra a 2ª Conferência do Desenvolvimento

“O desenvolvimento não é apenas a expansão da base material da economia, temos hoje um processo de transição para uma sociedade para além do trabalho material, por isso a educação precisa ser vista em outra perspectiva”. Foi com estas palavras, que enfatizam a importância do conhecimento como fundamento para o desenvolvimento, que o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Márcio Pochmann, iniciou o debate de encerramento da 2ª Conferência do Desenvolvimento (Code/Ipea).

Público assiste ao painel de encerramento da 2ª CODE, no Palco Convergência da #arenaCODE (Foto: Sidney Murrieta)

Para o presidente do Ipea, o Brasil precisa de uma nova forma de entender a educação, num modelo de aprendizagem contínua, que não termina após o ensino superior. “O ensino superior era visto antes como um teto, e para os níveis mais altos da sociedade, hoje temos a perspectiva de viver 100 anos e o setor de serviços responde pela maior parte do PIB, a educação precisa ser para a vida inteira”.

Na mesa sobre Educação e Cultura, realizada no espaço #arenaCODE, Pochmann ressaltou ainda a multiplicidade de questões abordadas na Conferência do Desenvolvimento: “reunir diferentes temas numa perspectivas de desenvolvimento amplo é o objetivo da Code”.

2ª Code

Durante três dias (23, 24 e 25 de novembro), a Conferência do Desenvolvimento, organizada pelo Ipea em Brasília, reuniu mais mil palestrantes em cerca de 100 mesas de debates. Diversos aspectos do desenvolvimento foram abordados, seguindo os eixos que estruturam o evento (inserção internacional soberana; macroeconomia para o desenvolvimento; fortalecimento do Estado, das instituições e da Democracia; estrutura tecnoprodutiva integrada e regionalmente articulada; infraestrutura econômica, social e urbana; proteção social, garantia de direitos e geração de oportunidades; e sustentabilidade ambiental).

Autoridades, especialistas, pesquisadores, gestores públicos e legisladores de todo país estiveram presentes no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, além de cerca de 800 estudantes que vieram das cinco regiões brasileiras.

#arenaCODE discutiu realidade das economias solidária e criativa

A produção cultural brasileira tem passado por intensas transformações, provocadas, sobretudo, por meio da ação de grupos de agentes independentes, como o é caso do Coletivo Fora do Eixo (FdE). Um de seus membros, Leonardo Rossato, que atualmente representa o FdE na capital federal, participou na manhã desta sexta-feira,25, de uma mesa sobre empreendimentos colaborativos na #arenaCode, espaço dedicado à discussão de economia criativa e cultura digital dentro da 2ª Conferência do Desenvolvimento (Code).

Quem também participou foi coordenadora-geral de Promoção e Divulgação da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Regilane Fernandes.

Para possibilitar, no caso dos festivais de música, que os artistas e produtores envolvidos possam obter renda e viver do trabalho que fazem, esses eventos têm se transformado em “festivais de artes transversais”, na definição de Rossato.

Ele explicou que, reunindo num mesmo local artistas da música, artes plásticas, moda, iniciativas de comunicação, empreendimentos comerciais de cunho social e comunitário, é mais fácil e atrativo reunir público, que consuma essa cultura, financeiramente, mas também de outras maneiras – por meio de estabelecimento de rede de contatos e colaborações, por exemplo.

A cultura digital, que engloba plataformas de financiamentos coletivos, comunicação facilitada por meio das redes sociais, download de produções musicais, e audiovisuais, entre outros fatores, proporciona, na avaliação de Rossato, a “desintermediação do processo musical” e artístico. “O comércio na cultura mais justo é muito importante, porque o artista precisa viver do que faz” frisou.

Regilane pontuou que empreendimentos colaborativos estão sob atenção especial do governo federal recentemente. Segundo ela, o governo se atentou para as potencialidades de coletivos de economia solidária e economia criativa, com a criação de órgãos dedicados ao mapeamento, estudo e planejamento de políticas que colaborem com ações já em desenvolvimento em vários pontos por todo o Brasil.

A coordenadora alertou, porém, para a necessidade de se entender que economia criativa e economia solidária são conceitos diferentes, e definem formas de organização socioeconômicas distintas. “O governo (federal) reconhece essa diferença, e o tratamento a esses movimentos acontece em espaços diferentes”concluiu.

Code debate mudanças, limites e contradições do novo padrão de desenvolvimento

“Novo padrão de desenvolvimento: mudanças, limites e contradições”. Este foi o tema principal apresentado pelo eixo Macroeconomia para o Desenvolvimento na tarde desta quinta-feira, 24, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília, na segunda edição nacional da Conferência do Desenvolvimento (CODE/Ipea 2011). Mediado pela diretora de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto, Vanessa Petrelli, o painel contou com a participação do conselheiro do Ipea, Luis Carlos Bresser Pereira e do professor emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF), Teothonio dos Santos.

Integrantes do painél debatem o modelo de macroeconomia para o país (Foto: Sidney Murrieta)

Bresser Pereira deu início ao debate fazendo um questionamento: “A economia brasileira hoje segue uma estratégia desenvolvimentista ou uma estratégia liberal? Ou ainda mais: neoliberal?”. Na prática, segundo ele, o país pode estar no meio do caminho entre as duas, mas é muito importante perceber que há duas formas de se entender teoricamente a economia e de desenvolver uma estratégia de desenvolvimento. “Ou se tem uma estratégia desenvolvimentista ou se tem uma estratégia neoliberal”, garantiu.

Dentro dessa teoria, o economista levantou algumas questões sobre as referidas estratégias – neoliberal ou Consenso de Washington e desenvolvimentista ou neoclássica. O ex-ministro destacou que o Brasil não é atualmente o modelo desenvolvimentista dos seus sonhos, porque esse caminho só é viável quando toda a sociedade participa dele e, isso, em sua opinião, ainda não é uma realidade. Mas também acredita que houve uma mudança brutal de hoje para o que era há dez anos. “Há dez anos, o que quer que eu falasse era visto com grande desconfiança e hoje está tudo mundo interessado em saber, finalizou, destacando que já é um grande avanço.

Utilizando uma linha de pesquisa que passa a ser objeto único, inclusive hegemônico, como China, parte da Ásia e África, o professor Teothonio dos Santos fez um tipo de análise que permitisse uma aproximação da realidade tentando, segundo ele, não partir de modelos que levassem a deduzir essa realidade. E sim, fazer uma análise concreta da situação. Em sua opinião, essa é a posição que qualquer evolução política correta tem de assumir.

“A tradição neoclássica é exatamente o contrário! É uma tradição que parte de um pressuposto não muito debatido”, destacou o especialista. Ele acredita que, de certa forma, sobre a ideia de que o Consenso de Washington seria um marco muito definitivo durante um longo período, nunca foi discutido pela população brasileira nem pelas outras populações do mundo onde foi aplicado.

Teothonio destacou que quando este consenso começou a entrar em crise, surgiu a ideia do Consenso de Pequim, que os chineses renegaram, já que não se consideravam modelo pra ninguém, no sentido de que se estabeleçam modelos econômicos para as demais nações. Para a república da China, cada país tem de desenvolver seu próprio modelo, levando em conta sua história, seu processo político e social, tese plenamente compartilhada pelo estudioso.

Livro lançado na Conferência debate diversos pontos de vista sobre a Bioética

O livro Bioética em debate: aqui e lá fora, editado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foi lançado nesta quinta-feira, 24, no segundo dia da Conferência do Desenvolvimento (Code). Organizado pelo secretário-executivo adjunto da Secretaria-Geral da Presidência da República, Swedenberger do Nascimento Barbosa, a publicação apresenta diversos pontos de vista sobre o tema e está dividida em duas partes.

A primeira resgata as contribuições dos participantes de um seminário realizado em 2010 pelo Ipea. Em seguida, são apresentados quatro textos de debate de escritos por especialistas da UNESCO, Universidade de Brasília (UnB) e Uniceub.

Estiveram presentes na mesa de lançamento, além do organizador Swedenberger Barbosa, o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior, o presidente do Instituto, Márcio Pochmann, e o professor da UnB e membro do Comitê Internacional de Bioética da UNESCO Volnei Garrafa.

Comunicação e Desenvolvimento é tema de novo livro de José Marques de Melo

Primeiro brasileiro a defender tese de doutorado em jornalismo na Universidade de São Paulo e uma das principais autoridades nessa área do conhecimento no Brasil, José Marques de Melo, lanço seu novo livro Brasil Democrático: Comunicação e Desenvolvimento, editado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A publicação foi lançada na tarde de quinta-feira, 24, com uma sessão de autógrafos, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília, durante a segunda edição da Conferência do Desenvolvimento (Code).

O livro é uma contribuição para o debate nacional em torno de questões agendadas pela sociedade, repercutidas intensamente na mídia. Ele agrupa três conjuntos de estudos elaborados nos últimos cinco anos: ensaios que revisam o arcabouço teórico do pensamento comunicacional brasileiro; perfis biográficos ou exegeses autorais, localizados no tempo e no espaço; e questões conjunturais relevantes para a compreensão da práxis vigente no país.

Compondo a mesa também estiveram Aristides Monteiro Neto, assessor-chefe de Planejamento e Articulação Institucional de Projetos e Pesquisa do Ipea, que foi quem prefaciou a obra, e o assessor-chefe de Imprensa e Comunicação do Instituto, Daniel Castro. Antes do lançamento, pela manhã, o autor também esteve presente a um debate em torno do tema.

Painel da 2ª Code/Ipea abordará os rumos da América Latina

Nesta sexta-feira, 25, às 9h, a 2ª Conferência do Desenvolvimento terá o painel Os rumos da América Latina, correpondente ao eixo “Inserção internacional soberana”. São esperados para o debate, na sala Gustavo Capanema do Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília, o alto representante-geral do Mercosul, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, o secretário-executivo adjunto da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Antônio Prado, e Moira Paz Estenssoro, da Corporação Andina de Fomento (CAF).

O objetivo do painel será discutir a inserção internacional da América Latina em um mundo em que o eixo de acumulação de capital se desloca cada vez mais em direção à Ásia. Os participantes debaterão qual o papel a ser desempenhado pelos países latino-americanos nessa nova divisão internacional do trabalho. A entrada na 2ª Code/Ipea é franca, e as atividades nesta sexta-feira, último dia da Conferência, começam às 8h30.

Especialistas analisam potencialidades e desafios na relação cooperativa entre Brasil e China

Qiu Xiaoqi, embaixador da China no Brasil, abriu na manhã desta quinta-feira, 24, as participações do Painel IV: Brasil – China: Desafios estratégicos, mediado pelo diretor de Políticas Setoriais de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Ipea, Carlos Silveira. Xiaoqi ressaltou que Brasil e China estão em boa fase de desenvolvimento e são atualmente, dois dos maiores motores da economia mundial. Após se desencadear a crise financeira mundial, muitos países desenvolvidos entraram em recessão, em contraste com cenário dessas duas nações emergentes, que mantiveram crescimento acelerado. Para o embaixador, a crise expôs as deficiências do sistema internacional.

Os dois países têm, na visão dele, estabelecido relações de acordos bilaterais mais rapidamente, e há potencialidade de colaborações ainda a serem exploradas. O diplomata apontou que, no período de 2003 a 2008, as relações comerciais entre Brasil e China cresceram 40%. “O Brasil é o nono parceiro comercial da China em todo o planeta, e o mais importante entre os BRICS”, disse. Os componentes industriais importados pelo Brasil, na sua visão, favorecem a competitividade da indústria nacional brasileira.

Affonso Celso de Ouro-Preto, embaixador do Instituto Brasileiro de Estudos de Concorrência, Consumo e Comércio Internacional, afirmou que a China, como a segunda maior economia do planeta, gera para o Brasil, um desafio, pois “estivemos sempre virados para o Atlântico, econômica e politicamente, e hoje o eixo econômico se vira para o Pacífico”. Mas ele alerta para o fato de a sociedade brasileira ainda não estar preparada para essa mudança de eixo. “Temos que entender que nossos interesses se deslocam, pois o centro econômico do mundo se transferiu para a Ásia e Oceano Pacífico; e a China é, há dois anos, o principal parceiro comercial do país”, completou.

Algumas características da sociedade chinesa explicam, segundo Ouro-Preto, a recente expansão econômica do país, como a forte tradição de organização, herdada do confucionismo, o fato de aproximadamente 40% da renda das famílias estarem em poupanças, o fato de o país conseguir favorecer suas exportações por meio da guerra cambial, economia de escala – grande território e a maior densidade populacional do planeta, que reduz preço por unidade para qualquer produção -, ainda o fato de quase metade da população chinesa viver na área rural, o que, aliado a salários relativamente baixos, gera um “estoque” de mão-de-obra com qualificação constantemente aprimorada.

“A China soube conceder financiamento subsidiando taxas de juros, o que favoreceu a expansão de sua indústria e o país tem uma infraestrutura de transporte não comparada a muitos países desenvolvidos e em desenvolvimento”, disse.

Desafio

A China coloca um problema para o Brasil: se proteger e se desenvolver frente à parceria com esse país. “A China sabe o que quer do Brasil, mas o Brasil não sabe o que quer da China. Não se criou até hoje um plano para que possamos continuar a aproveitar as relações comerciais e nos proteger em certas áreas ameaçadas pela concorrência que os chineses oferecem, e a política brasileira precisa ser readaptada para garantir a parceria com o China”, avaliou Ouro-Preto.

Ele alertou também para a necessidade de o Estado brasileiro avançar no controle da aquisição de terras, pois a China adquire grandes quantidades de terras em território nacional. “Fala-se em milhões de hectares em poder de empresas chinesas. Há projeto no governo federal para se limitar essa compra de terras por estrangeiros, não só a China”, argumentou.

Ele lembrou que o Brasil tem déficit com relação à construção de portos, e apontou que, se a China investir nisso, as exportações brasileiras seriam mais eficientes. Há, ainda, um projeto de cooperação tecnológica entre os dois países. Está em construção um satélite para fotografar o território brasileiro, para fins de estudos de viabilidade economica. O empenho tem 70% de participação da China e 30% do Brasil. Em contrapartida, tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e Petrobras interessam à China, e são potenciais moedas de troca na cooperação bilateral.

A China só pode aproveitar 9% de seu território para a agricultura, assim, precisa dos produtores de soja, da qual o Brasil é o segundo maior produtor mundial, “e em pouco tempo será o primeiro, como apontam peritos na área”, disse. Outro-Preto destacou que o Brasil é um dos últimos destinos para o investimento China.

Oportunidades

De 1960 a 2011, o preço das commodities no mercado mundial subiu vertiginosamente, mesmo considerando a volatilidade típica em cenários de crise financeira, a constatação é do superintendente da Área de Pesquisa e Acompanhamento Econômico (APE) do Banco Nacional do Desenvolvimento, Fernando Puga, que integrou o painel.

Segundo os dados que ele apresentou 56% das importações da China são de insumos industriais (minério de ferro, aço e celulose, principalmente), 28% de alimentos e bebidas, soja em destaque, e 13% de combustíveis. Como o Brasil é grande produtor desses artigos, o crescimento da economia brasileira beneficia a China, o que, para Puga, é motivo para que o país se volte para agora para produção destinada à exportação além de commodities, para explorar mais o comércio com o país.

No tocante à produção de alimentos, a China tem grande desequilíbrio entre oferta e demanda, e tem um regime político com alta preocupação com a segurança alimentar, o que faz com que a inflação tenha grande efeito imediato na população, na análise do especialista. Os atuais planos do governo chinês para a expansão de sua infraestrutura urbana e o déficit habitacional de 70 milhões de unidades garantem a exportação de ferro e aço para o Brasil, finalizou Puga.

Combustíveis e produção de energia

Alexandre Corrêa, da Petrobrás, acredita que o diferencial competitivo da China é forte investimento em tecnologia, grande escala de mão de obra, e o planejamento econômico. A política industrial, entre os pontos de destaque, consiste em alto investimento na educação. Esses fatores, somados à latente população consumista, dão à China um potencial de crescimento “inigualável”, na explicação de Corrêa.

Ele afirmou que os chineses investem em todas as energias possíveis, e que o país tem a terceira maior reserva de carvão do mundo. Porém, é o segundo maior importador de petróleo do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Com o atual estoque, relatou, a China consegue manter menos de nove anos de sua atual produção. “Do atual crescimento mundial por petróleo, 42% se deve à China”, informou.

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